#1, Unspoken

Aqui vai o 1º capitulo de Unspoken. Espero que gostem :)

“Tu abandonaste-nos, tu abandonaste-me…”

O relógio marcava nove horas da manhã quando Cathy acordou. Como o habitual sentia-se bem-disposta e o facto de ser fim-de-semana ainda a animava mais. Despiu-se dos seus frescos lençóis e dirigiu-se à cozinha para tomar o pequeno-almoço. Desceu as escadas a cantarolar e não parou de o fazer até avistar um recado do seu irmão na porta do frigorífico. “Saí, mas não demoro. Beijinhos”, sorriu ao de leve ao ler aquilo. Achava impressionante o facto de ele nunca a querer deixar preocupada… Ele era mais velho, apenas um ano, mas sempre fora o maior herói da vida dela. Amava-o incondicionalmente e sabia que esse sentimento era recíproco.

Ainda a sorrir aqueceu a sua taça com leite no microondas e juntou um pouco dos seus cereais favoritos. Depois de se alimentar, dirigiu-se à sala ligando o leitor de Cd’s e colocando o volume quase no máximo. Abriu instantaneamente as grandes cortinas e deixou transparecer e respirar o ar luminoso daquela bonita manhã. Ainda estava em trajes de dormir. Vestia uns boxers brancos muito femininos que lhe assentavam particularmente bem naquelas pernas morenas e bem definidas e na parte de cima do seu corpo usava uma simples camisola de alças sobreposta ao seu peito nu.

Começou a rodopiar sobre ela própria e a deslizar ao som da música. Diminuiu o volume quando ouviu baterem à porta. Abriu-a sorridente até reconhecer a pessoa que estava à sua frente.

Ele olhou-a absolutamente admirado. Ela estava diferente desde a última vês que a vira. “Agora está ainda mais sexy e ainda mais bonita. Está mais mulher!”, concluiu ele. Reparou naquele ar selvagem dela que sempre o deixara maluco.

- Cathy? – perguntou ele fitando-a.

Em resposta ela lançou-lhe um olhar irritado e tentou fechar-lhe a porta na cara, mas ele colocou o seu pé como obstáculo. Entrou forçadamente na casa enquanto ela subiu as escadas furiosamente. Seguiu-a.

- É preciso ter muita lata, Tom! – disse ela vendo-o a entrar sorrateiramente no quarto dela – Depois de nos abandonares de um dia para o outro e depois de estar 3 anos sem dar noticias a ninguém, a primeira coisa que tu dizes é ‘Cathy’? – atirou ela furiosamente.

- Se vamos por aí, também esperava ter uma melhor recepção… - observou ele, visualizando o quarto dela discretamente.

- Querias o quê, Tom? Beijinhos e abraços? – retorquiu ela incomodada com a boa disposição dele.

- Não era mau pensado…

- Tu abandonaste-nos, tu abandonaste-me… - ele olhou-a seriamente, viu-a magoada com ele. A maneira como ela disse aquelas palavras foi como um estalo na cara.

- Tens que perceber, Cathy… Eu e o Bill fomos atrás de um sonho… Do nosso sonho!

- Claro e foram bem sucedidos. Mas quando se ganha, pode-se perder também… - disse ela irreversível.

- Por favor, não ponhas as coisas nesses termos… Eu e tu aconteceu, pronto! Namoramos, mas já passaram três anos…

- Eu amava-te palerma, amava-te mesmo… - ela viu Tom pálido como o coração lhe tivesse parado durante alguns momentos.

- Nunca… Nunca me disses-te isso, quer dizer nessas palavras… Tão directamente… - aquilo tinha-o apanhado desprevenido. Sempre foram amigos e às vezes o desejo sexual falava mais alto e ele adorava devora-la, mas nunca pensou que ela pudesse gostar realmente dele, daquela pessoa ignorante e inocente. Agora com 20 anos, sentia-se mais maduro, mais racional…

- Isso não interessa… É passado! O que me magoou foi a maneira como fizeste tudo. “Ouve: vou fazer as malas e pirar-me daqui com o meu irmão, vamos para a América. Foi divertido, vemo-nos qualquer dia” – vociforou ela , tentando imita-lo.

- Não foi bem assim… - defendeu-se.

- Não, mas quase! – fez uma pequena pausa - Eu e o meu irmão ficamos destroçados… Ele era o teu melhor amigo e tu simplesmente desapareces-te… - quase que diria que viu água nos olhos dela, mas ela era boa a disfarçar. “Ela era boa em tudo”, pensou Tom. Sim, ele sabia que agira mal, mas se ele soubesse que ela o amara, talvez tivesse feito as coisas doutra maneira. Apesar de namorada, ela sempre fora sua amiga apesar das constantes discussões. Nunca se esqueceu dela, ao contrário do que ela pensava. Não se esqueceu dela, nem do irmão dela… Antes de se tornar famoso com a banda, a vida dele e do irmão foi passada maioritariamente com eles. Não se arrependeu da sua partida, apenas da maneira como a fez.

feito por danceandtokiohotel às 20:43 | link do post | mimar